Maio 22, 2008

O que sinto realmente é o que tento não sentir, ou o que imagino sentir (tentando burlar o que tento não sentir)? É complicado. Às vezes, a pessoa se diz "sinta-se bem", mas a alma insiste em ir contra, avisando que tem algo errado.

Já sei. Sou eu e o mundo. Talvez, a condição humana. De ser algo que acaba. Saber que, mais rápido e cruel, não é o acabar natural de nossa condição, mas o que nossas mãos cometem. Atrocidades...atroci....atro....a. Matar um é como matar mil que nem existiram. E as pessoas dizem: "é a vida". Será? Em nome de uma idéia a gente se dizima e depois vai ao psicanalista.
Ah...a vida...é nesse momento que a vejo tão profunda, tão complexa, mas tão leve ao mesmo tempo. Será por isso que vale a pena ser vivida? A cada dia, observo que nenhum dinheiro paga sua essência. E que quanto mais perto da natureza estivermos, melhor.
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Libre at 18:23 |

Maio 5, 2008

Acabo de ler uma matéria na revista Mente e Cérebro sobre o poder da escrita [Escrita para curar] e, acredito que o texto explique a razão de minha necessidade - e dos demais também - da escrita se manifestar mais em momentos de dificuldade interior, ou seja, nos sentimentos que não conseguimos dar nomes ou refletir. Talvez, por isso alguns blogs ou até diários, pareçam tristes - e, conseqüentemente, as pessoas que os escrevem. Eu, por exemplo, não sou de me sentar para escrever quando me basto - esse me basto implica zilhões de outros coisas interiores e exteriores. Não é só a sarah se bastar...é um processo de sarah com o mundo, claro. Quando estamos bem, a vida, os momentos, parecem um caminho aberto, uma fluidez maravilhosa...é incrível. E para esses dias, melhor do que letras ou palavras, é um sorriso, ou várias gargalhadas - que faz bem todos os dias. Mas por outro lado, também podemos ver a escrita como uma forma de sorriso, naqueles dias em que nossas vidas possuem pedras no rio. É a alma se agitando para sorrir.
Resolvi registrar essa matéria de acordo com minha leitura, ou seja, pincei os pontos que acho mais direto.

“A escrita nada mais é do que um sonho portador de conselhos” - Jorge Luis Borges

por Massimo Barberi
Em alguns casos, escrever de forma orientada sobre experiências traumáticas pode ajudar pessoas a refletir sobre si e a superar a dor da perda.

Uma possível explicação é fornecida por pesquisas sobre os efeitos da escrita sobre o sistema imunológico. Expressar no papel as próprias experiências negativas parece aprimorar a percepção da pessoa a respeito de si, tornando a somatização mais tênue. O professor de psicologia Joshua Smyth, da Universidade do Estado de Dakota do Norte, constatou também a redução nos níveis de cortisol (hormônio produzido por uma glândula do sistema neuroendócrino, ativado nos momentos de stress) nos pacientes que escreveram sobre seus traumas.

“O fato é que ao longo da vida todos passamos por eventos mais ou menos traumáticos e, mesmo que estejamos bem e não apresentemos transtornos significativos, é provável que haja um elemento estranho em nossa mente que pode impedir o desenvolvimento máximo das potencialidades. Por isso, quando escrevemos regularmente sobre nossas emoções e trajetória, quase sempre vem à tona um evento que nos perturba. Escrever ajuda a reelaborar e superar essas vivências desagradáveis”, diz o professor de psicossomática Luigi Solano, da Universidade La Sapienza, em Roma, autor de Scrivere per pensare (Escrever para pensar, não lançado no Brasil). Ele acredita que a escrita terapêutica ajuda a pessoa a descrever detalhes de experiências negativas, explicitar sentimentos, colocar os fatos em ordem cronológica e estabelecer nexos.

Outra hipótese, complementar à anterior, sustenta que a escrita “ensina” a mente a pensar de forma mais complexa e articulada. “É uma espécie de exercício mental que ajuda nas relações com os outros e consigo mesmo”, afirma o psicólogo. Certos estudos demonstraram que, após escreverem seguindo essa técnica, as pessoas se tornaram mais ativas nas relações com os outros. “Os experimentos mostram ativação de habilidades sociais, maior facilidade para se expressar afetivamente e, em alguns casos, a escrita ajudou a redefinir metas profissionais”, observa. É como se, ao serem colocados no papel, desejos, necessidades e emoções se tornassem mais claros.

E quanto às outras formas de expressão? A música, por exemplo, permitiria elaborar a experiência, assim como a escrita? E o mesmo se aplica à pintura? Muitos artistas expressam na tela as próprias experiências traumáticas, na forma de linhas e cores. “Talvez não seja adequado colocar no mesmo plano a escrita e as formas de arte que não contemplam a palavra, pois é justamente o uso da linguagem que permite a reelaboração dos fatos e a reflexão”, acredita Luigi Solano, da Universidade La Sapienza.

O cinema talvez esteja mais próximo da arte da escrita. Basta recordar o filme Macbeth (1971), de Roman Polanski. O diretor recriou a obra-prima de Shakespeare com um excesso de sangue e violência, o que, segundo vários críticos, evocava o bárbaro assassinato de sua mulher, três anos antes.
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p.s: lembrando que nunca se deve acreditar, realmente, em críticos. São seres, como nós, que vivem de "achismos", acham que sabem demais, inclusive o que você sente etc. O que nenhum ser humano tem muita capacidade, eles têm.

Libre at 14:59 |

Abril 20, 2008

Sabe, acho que uma parte de mim - que já foi grande, mas está mudando, a atual configuração é uma parte pequena - ainda sustenta o medo de amar. Por que? Acredito que haja duas vertentes que se convergem ao mesmo sentimento: (1) medo de assustar a pessoa e (2) medo de ser rejeitada. Nos dois lados podemos chegar a um terceiro medo: o de perder. Aí, o que fazemos? Guardamos tudo numa gavetinha interior. É como se engolíssemos o sentimento, que é bastante forte e poderoso, a todo custo. Veja bem, esse sentir é bom - bom, pois nos sentimos bem ao senti-lo - e deixá-lo emanar de nós é sublime. Mas engoli-lo é o reverso, faz mal. É como comer papel. Mas nosso superego ajuda bastante a mantê-lo bem no fundinho da alma...ele adora ter voz de poder: "não faça isso!", "não abrace, ele vai fugir!", "não sinta prazer!", "não veja!", "vá para escola, tire notas boas!", "não use esse sapato!"...o blá blá blá de sempre. Já não agüento mais escutar essas coisas. Só não podemos esquecer que o inconsciente é mais poderoso, basta deixarmos ele tomar conta. Como? Contrariando o superego, por exemplo. Deu vontade? Faça! Nosso "ditador interior" vai espernear, vai mandar a SS atrás de você, mas faça e não tema se teu interior diz.
[não vou entrar em questões como matar alguém ou jogar xixi na bebida do outro...não dá!]
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Libre at 19:58 |

Março 16, 2008

A palavra culpa me incomoda. Talvez, porque sejamos criados num meio onde ninguém deva ser “o culpado”, já que é errado e até imoral. Mas querendo ou não, sempre estamos à procura de uma vítima, e sendo assim, sempre há “o alguém”.

Vendo "In My Country", filme que retrata o fim do Apartheid na África do Sul e os novos rumos que o país dali poderia tomar, entrei em contato com a questão culpa. É o seguinte: em 1994, o presidente Nelson Mandela deu início à Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) a fim de investigar os horrores do Apartheid (que significa “vida separada”). Nessa comissão, as vítimas se encontraram frente a frente com os executores dos crimes e contaram suas histórias. Esses executores poderiam receber anistia contando a verdade e provando que apenas seguiram ordens ao matar o joão, a maria, o zé, etc. A CVR é interessante, não? Quem dera não precisássemos de advogados e nossas palavras valessem nossa vida. Ou pelo menos, igualassem. Isso quer dizer que teríamos que ser verdadeiros conosco, com a vida, com o próximo. Utopia, quando se pensa em relação a humanos?
Pra ser sincera, não sei como acabou tudo lá na África do Sul, se deu certo as anistias. Realmente não procurei saber, ou ainda não procurei ler algo. Sei que a segregação acabou, mas a desigualdade não. Mas já penso que um povo que procure saídas como esta, não seja louco, ou ingênuo... Pelo contrário, perdoar é uma das coisas mais difíceis do viver, já reparou? A gente fala: "ok, te perdôo", mas não é uma questão de palavras e sim de sentir. O perdão é um sentimento - e muito raro. Acredito que seja até divino. Estar apto a colocá-lo em prática, já muda todo o contexto.
Mas os africanos pensam de forma global, entende? É o tal do Ubuntu. Não me refiro ao sistema operacional Linux - não sei se você sabe, mas existe um Linux com nome africano -, apesar de que a idéia desse programa vem exatamente do significado da palavra: ubuntu quer dizer que "estamos todos ligados, conectados. O que o machuca, machuca a mim. O que o afeta, afeta a mim e a todos. Se os africanos querem elogiar alguém, dizem 'ubuntu'. Significa que acham a pessoa generosa e dotada de compaixão. É uma questão de compaixão e perdão"***. E nisso se baseia a CVR. Talvez, se baseia também, a vida dos africanos.

O filme termina com um poema, lido pela personagem principal, Anna Malan - que agora, passo a compreender melhor:

“Por sua causa,
este país não fica mais entre nós
mas dentro de nós.

Respira tranqüilo
depois de ser ferido
em sua bela garganta.

Em minha cabeça é cantoria,
é fogo em minha língua...
Por mil histórias fui queimada
Tenho uma nova pele.

Estou mudada para sempre, E quero dizer...
perdoe-me
perdoe-me
perdoe-me.”

É de se imaginar o que esse “perdoe-me” faz ali. E três vezes!
A questão é que o filme envolve muito a relação entre indivíduos e culpa. Quem escreve esse poema é uma jornalista de família burguesa, branca e sul africana – a tal Anna. Ser branco naquela região é complicado, como ser negro. Notei que a cor te diz quem você é. E nesse caso, o branco meio que carrega a culpa – apesar de que muitos brancos foram mortos por negros no Apartheid, e também foram à CVR valer de seus direitos. E foram ouvidos.

A relação culpa X brancos segue algo como: você tem responsabilidade nesse dolo, mesmo que pense a favor dos direitos humanos. Há sangue em suas mãos, pois você sabia do que estava acontecendo e se manteve como espectador. É por tal razão que Anna pede perdão.
Claro, aí entram “n” questões. Uma delas seria o povo não saber, realmente, o tamanho da sujeira debaixo do tapete. Isso lembra o caso dos alemães com o Nazismo, principalmente no filme “A Queda – as últimas horas de Hitler”. Também não estou falando que ninguém sabia de nada. E a questão aqui nem é essa, o que pensei foi:

Até que ponto somos culpados na/pela história?
Por exemplo: até que ponto somos culpados na questão da corrupção brasileira? Até que ponto um francês é culpado pelo o que a França fez na África? E os portugueses, tanto com a África como com o Brasil? E nós, brasileiros, por continuarmos recebendo esses negros e vendê-los como mercadoria, reafirmando assim, que não possuíam alma? [nota-se que quando não temos justificativas, criamos mitos]

Então, essa é a proposta, a de que todos somos culpados de certa forma e que o ato de pedir perdão [e mudar nossos atos] é a saída. Até ouvi numa entrevista a atriz Juliette Binoche (que fez o papel de Anna Malan), fazendo a seguinte pergunta: “e se não formos nós, quem será? Todo mundo já morreu dessa época da colonização”. Ou seja, ninguém assume nada, fica como está, é passado?

Fiquei ruminando: Será que sou culpada mesmo? Com todas as infinitas atrocidades do mundo, onde meu dedo está?
O que penso não responde se temos culpa ou não. Minha resposta ao filme é que não acho que o problema branco, negros, franceses e portugueses... deva ser visto e tratado pela ótica da [des]culpa. Sentir-se culpado não resolverá nada. O ponto da questão está numa palavrinha chamada respeito. Lógico que há sempre problemas, como o sistema que vivemos, o capitalismo e o blá blá blá de sempre, que vira o mundo de cabeça para baixo. Mas acredito que a falta de respeito pelo próximo, pelo diferente, a falta de humildade e amor pelo ser é que geram casos assim, como a Apartheid. Não tem nada a ver com culpa, tem a ver com como me coloco no mundo, com como me respeito diante da vida, com como enxergo e reconheço o ser humano, tem a ver com ética. E respeito engloba todas essas coisas. E aí surge o ubuntu: o que faço afeta a todos. Se me respeito, respeito o semelhante e o mundo, de forma que mudamos nossa realidade/história.

Só que onde uma idéia vale mais que uma vida, não há como ser muito diferente.
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***Tirado do filme. Há, em outra parte, uma fala assim sobre o ubuntu: "Fazemos parte um do outro. Quando o policial me machuca, ele fere a você também. Fere a todos neste mundo e também a ele".
Qualquer coisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ubuntu_%28ideologia%29
[Outra palavra que achei interessante é Hemadulus - o que há além. o meio do nada.]

P.S.: ainda sobre o filme, vale a pena dizer: a trilha sonora é de uma profundidade tocante e as cenas externas são lindas..bem filmadas. Como pode um país tão lindo, abençoado com a natureza, possuir uma maldição tão fulminante dos homens? Vê como a mesma beleza se transforma em tristeza, tão rapidamente? É como o amor, no filme "O Hotel de Um Milhão de Dólares", onde o personagem principal se joga de cima de um prédio por ter matado o melhor amigo - amigo que estuprou a mulher que este amava, por ser prostituta -, e enquanto vai caindo em seu suicídio, se questiona como é interessante que o mesmo amor que se ama uma pessoa, pode ser o amor que o faz cometer um crime - um assassinato, nesse caso. [Apesar que aí, de amor vira ódio. São dois sentimentos ligados, mas distintos]

Libre at 20:42 |

Março 11, 2008

Para Ninguém

Ah, os filmes! (uma das melhores partes da vida)
Não vi todos ainda. No entanto, vi uns três: “A Insustentável Leveza do Ser”, “La Double Vie de Veronique” (que cabelo perfeito é aquele de Irène Jacob?!) e “Hotel de Um Milhão de Dólares”.
Kieslowski (diretor de A Dupla Vida de Veronique, Triologia das Cores...) é um ataque de coração...leve e pesado ao mesmo tempo...sempre um paradoxo flutuante. Gosto muito das músicas que usa nos filmes, do compositor Zbigniew Preisner. É incrível como o som muda espetacularmente a imagem. Esse diretor tem sido o que mais gosto. Quero ler/aprender algo sobre seu cinema.
Em A Insustentável Leveza..., as atuações são excelentes, o que me levou a buscar outros filmes de Daniel Day-Lewis. Já Juliette “La Binoche”, acho muito interessante a forma de sua atuação. Aliás, atualmente ela está em “Le Voyage du Ballon Rouge”, de um tal de Hsiao-hsien Hou. Acho que é uma refilmagem, saiu agora em 2008, na França. Lendo sobre esse filme, achei interessante, pois a forma de trabalhar do diretor é só descrever mais ou menos a cena no roteiro e o resto – as falas, as posições em cena – são inventadas pelos atores, ali, na hora. E tipo, é tudo feito em um take – como se fosse vida real, as coisas acontecem ali, naquele momento e daquele jeito. Deve ser uma experiência e tanto.
Só não consegui achar um filme que você listou e que quero muitíssimo ver: "Les Amants du Pont-Neuf" e me interessei por outro do Leos Carax também, "Mauvais Sang". Infelizmente estão fora da internet. Vou ver se consigo na faculdade.

Ando com vontade imensa de aprender acordeom e estudar cinema francês, espanhol e mexicano, mas principalmente, fazer cinema – o que sempre quis, na realidade. Quem sabe um dia...a vida tem tantas surpresas.
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Libre at 16:32 |

Janeiro 15, 2008

"Mas é que a verdade nunca me fez sentido. A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar, eu te assustei? Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder, eu te perderia".
- Clarice Lispector
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Libre at 14:19 |

Dezembro 22, 2007

O dia de hoje está tão lindo. Tão diferente do apagado nublado de ontem. Hoje há o infinito azul, juntamente com o sol. Quando fui lá fora e me dei conta da paisagem, me peguei comentando: nossa, o céu está tão lindo. Olha, tão azul. Deve ser a Carol que chegou lá.
A Carol era assim, como um dia de sol [extremamente brilhante e azul celeste]. E aí eu ri, porque se dissesse isso à ela, ela iria dar uma risada e me chamar de boba sentimentalista. [A mesma que lia meus toscos poemas e corrigia algumas coisas].
Ontem uma amiga me deu sua definição a respeito dela ["uma pessoa amada e especial"]. Hoje, imediatamente vi a minha sair tão fácil ali fora, enquanto eu passava pelo sol. Porque o contraste entre ontem e hoje é tão forte, tão chocante e tão belo, que é “impossível” dizer que alguém morreu neste dia. Hoje, só nascem e renascem, todos.


"Who's to say where the wind will take you
Who's to say what it is will break you
Well, I don't know, which way the wind will blow.
Who's to know when the time is come around
Don't want to see your cry, I know that this is not goodbye.

In the summer I can taste the salt of the sea
There's a kite blowing out of control on the breeze
I wonder what's gonna happen to you
You wonder what has happened to me".

(Kite - U2)
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Libre at 14:24 |

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