"Menos que qualquer outra, minha concepção, [...] não pode achar que a vida deve ser um idílio sem esforço e sem sofrimento, pelo simples motivo de que isso nos seria agradável; nem portanto que a maldade de alguns senhores e chefes é o único fator que cria a infelicidade da maioria. Cada qual é filho de suas obras, e do jeito que a passividade faz a cama, nela se deita".
Bom, meu caso é uma longa história...
É que assim, sempre fiz jornalismo com os olhos em cinema (cultura). E, fazendo o curso, fui notando que não nasci para ser repórter ou, pelo menos, o que vejo em oferta por aí. Quero mesmo é algo com filmes - ainda não sei o quê, mas algo ligado a isso. Gostaria de viajar para fora (meu sonho é o cinema francês) e fazer cursos e ir trilhando meu caminho. Vamos ver no que vai dar.
Outra: mais a frente, quase terminando a faculdade - quando cursava aulas intermináveis, em pleno sábado de manhã -, ficava me perguntando, na biblioteca, se me arrependia de ter feito o curso. Só que descobri a causa de minha insistência: não tem nada a ver com o jornalismo em si, mas com a comunicação social - apesar de que, se você me falar: "re-escolha alguma coisa em comunicação", optaria, novamente, por jornalismo. Acho que é a melhor habilitação dessa área. A questão é que fiz comunicação para aprender a comunicar, suprir a falta de comunicação com que fui criada. E tenho que dizer, fico muito feliz por descobrir minhas razões e ainda ver que não me arrependo – pois há uma causa importantíssima. E mais, tenho que reconhecer que os estudos, a comunicação (jornalismo) me ajudou muito como ser no mundo.
Suguei muita coisa para aprender a me comunicar, desde palavras, coragem de falar com quem nunca vi (pra fazer matérias, a gente tem que se virar!), até fazer o que não queria (como as pautas para o jornal-laboratório da faculdade: o Fato&Versão). Isso tudo, principalmente essas reportagens, a obrigatória convivência com o que não há interesse aparente, me transformou muito, me tornando mais humana. Agora, no fim do curso, meu último assunto para a faculdade foi sobre os hospitais públicos. Quer me deixar meio p*, me coloca pra fazer o que não quero, principalmente, em entrevistas etc. Uma das únicas coisas que até faço, de bom grado, em jornalismo, é sobre cultura – que amo! Mas hospitais e afins, não rola muito. Porém, fazer essa matéria foi excelente pra mim. Nunca tinha ido a uma emergência de hospital do governo e vi uma outra realidade – que já sabia de sua existência, só que da qual não faço parte (graças a Deus!). Tudo isso me humanizou. Então, julgo ter valido a pena. Estou saindo muito mais rica do que vazia – apesar da luta constante que foi para me manter no curso. Não por causa de dinheiro, mas por causa de incertezas etc.
No balanço geral, tá tudo legal, tô saindo bem – porque o que mais estou dando valor é o interno, o descobrir da vida. Profissionalmente, não é o que quero - mas também, não fiz para isso -, e tenho mais uma certeza: o que fiz, mesmo não trabalhando na área, vai me ajudar muito no que eu escolher. Tenho que reconhecer, jornalismo é f*! Mas não de ser legal, como muitos têm a ilusão de ser, mas de se fazer, de estar ali.
Quanto aos mestrados e doutorados da vida, penso que um dia, posso fazer sim, mas por hobbie – assim como a psicologia. Faria só para não parar de estudar, porque gosto e nunca quero parar com os estudos. Mas também, não tenho interesse em ser professora. Meu negócio – acho – é com os filmes. O resto é hobbie, crescimento.
Tento não me desesperar, porque preciso estar viva para o mais complexo: a vida. E viver é estar centrada, no meio de tudo, sem extremos - quer algo mais complicado? Respirar, ver, sentir, ouvir, ou seja, o ato de existir e estar no mundo é muito difícil. Então, não preciso de dose maior em angústias etc. A tentativa do ser positiva me ajuda muito mais, aliada às ações e a fé.
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Libre at
01:23 |
Julho 22, 2008
"Sinto-me infinitamente mais à vontade sem ninguém por perto. As coisas começam a ganhar sentido. Preciso de calma para senti-las, para saber o que significam, se gosto ou não delas. É tão demorado acostumar-se com o novo, que parece não haver tempo suficiente para isso. Em vez de viver, verbo irresponsável demais para tanta exigência, a gente deveria dizer 'estou me dedicando', como em um trabalho difícil, desses que exigem cada uma das horas do dia."
As tardes têm sido meu nascer do sol. Ontem dormi 4 ou 5 da manhã. Entrei num blog de uma psicanalista e fiquei horas lendo. Mas o que me prendeu mesmo foi que, através desse blog, descobri uma história meio estranha, infeliz, de um menino de 16 anos, classe média-alta, filho de professor universitário e uma psicanalista, aqui do sul, que se suicidou com a ajuda da internet. Saiu uma matéria na revistaÉpoca, mas isso ocorreu em 2006. Um tempão, não é mesmo? - mas pra mim, isso é irrelevante, os anos. Porque por mais que algo tenha acontecido há 30 anos, há um momento certo para se saber, aprender, tomar conhecimento etc. E esse momento sempre chega. Enfim, fiquei meio chocada. E descobri que há vários casos parecidos pelo mundo. Todo tipo de pessoa entra em fóruns que incitam ao suicido, ensinando métodos mais eficazes. Tem até bombeiro, mães etc (acredite se quiser, porque parece até inacreditável!). Fiquei abismada com um negócio desses. Mas claro, todos ali, além de não terem noção com quem estão falando - muitos adolescentes perambulam por esses sites com idades falsas, nomes fictícios...pra mim, parece uma espécie de alterego -, provavelmente, muitos tem um alto grau de angústia, devem ser depressivos etc (eu imagino). Agora, imagina você, mal, muito angustiado e depressivo, e um monte de gente repetindo, dando conselhos de "se mata, cara!", ou "é isso aí, não há outra forma, você não faz falta no mundo, sua dor passará". Que merda é essa, meu irmão? E que mundo é esse que o homem tem construído?
Sabe como vejo isso? Além de várias questões, como o sistema mundial (que já virou o velho "blá, blá, blá" social), acredito na falta de ligação com o espiritual. Há muita razão aparente em tudo, principalmente na ciência, só que o homem interno, é emoção, fé, esperança, é o espirito que o mantém vivo e feliz. Pra ver que com toda a evolução tecnológica que temos, o ser humano anda mais e mais infeliz. Com toda a felicidade que poderia usufruir pela tecnologia, ele tem sentido angústia e "escolhido" a morte. Primeiro, porque, em minha opinião, não trata-se de felicidade propriamente dita, mas de alegrias fugazes da vida. Com a escolha pela alegria anestésica, corremos de nos enfrentar, enfrentar o espaço que vivemos e, principalmente, nossa história, nosso sentir (emoções). E depois, andamos num mundo paupérrimo em espírito, o homem preferiu desligar-se de seu criador. E essa já é a morte.
Mas o mais interessante de tudo, é a entrevista que o psicanalista do menino deu à Época. Resultado: internet é tão, ou mais perigoso do que a rua. É um mundo, que eu diria, quase à parte (quase!). Tem muita gente habitando (morando) virtualmente e não vivendo lá no mundão. Só que aqui, não há corpos, regras, crimes. Só há nomes fictícios e a coragem que nos falta lá fora, pois ninguém nos punirá. Mas é aquilo, nem tudo são caixões. Concordo que há um lado imensamente positivo nessa rede mundial. E a questão não é não usá-la, mas medir o uso. Sei lá...fiquei chocada.
E tem mais: o menino se suicidou, praticamente, online. Como? Enquanto ele ia se matando, ia postando no fórum. Sabe o que é isso? Pegando esses casos como exemplo, observando a forma como se comete o suicídio, sem adentrar pela história de vida de cada um, que é única, mas apenas analisando a parte "externa", do ato, relembro muito o que um filósofo francês, chamado Guy Debord abordou, naqueles dias de 1968: o mundo, o viver, o sistema, como espetáculo. É o mundo das imagens, narcisico. O autor já avisava: “O espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda vida humana – isto é, social – como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do espetáculo o descobre como negação visível da vida; como negação da vida que se tornou visível”. Assim como a experiência do dia-a-dia (que faz a vivencia), a morte também virou espetáculo. É típico daquele documentário O homem urso (o cara morreu na boca de um urso, achando aquilo demais). É "a caricatura do homem pós-moderno, aquele que tem na civilização o seu inimigo mais raivoso, embora venha dela o homem atual, aquele que busca a recompensa para a sua vida de tragédia ou para o vazio que o cerca". Antes, o ser humano travava uma luta para virar um mártir, lutava por pessoas, condições melhores de vida etc, ou seja, havia algo por que lutar. Hoje, se morre por "nada", se morre pela espetacularização que se tornou o ato de respirar. O homem virou produto de seu maior inimigo: o mundo. E “quanto mais sua vida se torna seu produto, tanto mais (você) se separa da vida”, afirma o filósofo. O significado do suicídio-espetáculo, soa como: olha, sou um herói, venço a morte, não tenho medo, eu mesmo me mato! Quer mais? Procure em A sociedade do espetáculo e depois, veja o documentário de Werner Herzog.
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O que sinto realmente é o que tento não sentir, ou o que imagino sentir (tentando burlar o que tento não sentir)? É complicado. Às vezes, a pessoa se diz "sinta-se bem", mas a alma insiste em ir contra, avisando que tem algo errado.
Já sei. Sou eu e o mundo. Talvez, a condição humana. De ser algo que acaba. Saber que, mais rápido e cruel, não é o acabar natural de nossa condição, mas o que nossas mãos cometem. Atrocidades...atroci....atro....a. Matar um é como matar mil que nem existiram. E as pessoas dizem: "é a vida". Será? Em nome de uma idéia a gente se dizima e depois vai ao psicanalista.
Ah...a vida...é nesse momento que a vejo tão profunda, tão complexa, mas tão leve ao mesmo tempo. Será por isso que vale a pena ser vivida? A cada dia, observo que nenhum dinheiro paga sua essência. E que quanto mais perto da natureza estivermos, melhor.
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Acabo de ler uma matéria na revista Mente e Cérebro sobre o poder da escrita [Escrita para curar] e, acredito que o texto explique a razão de minha necessidade - e dos demais também - da escrita se manifestar mais em momentos de dificuldade interior, ou seja, nos sentimentos que não conseguimos dar nomes ou refletir. Talvez, por isso alguns blogs ou até diários, pareçam tristes - e, conseqüentemente, as pessoas que os escrevem. Eu, por exemplo, não sou de me sentar para escrever quando me basto - esse me basto implica zilhões de outros coisas interiores e exteriores. Não é só a sarah se bastar...é um processo de sarah com o mundo, claro. Quando estamos bem, a vida, os momentos, parecem um caminho aberto, uma fluidez maravilhosa...é incrível. E para esses dias, melhor do que letras ou palavras, é um sorriso, ou várias gargalhadas - que faz bem todos os dias. Mas por outro lado, também podemos ver a escrita como uma forma de sorriso, naqueles dias em que nossas vidas possuem pedras no rio. É a alma se agitando para sorrir.
Resolvi registrar essa matéria de acordo com minha leitura, ou seja, pincei os pontos que acho mais direto.
“A escrita nada mais é do que um sonho portador de conselhos” - Jorge Luis Borges
por Massimo Barberi Em alguns casos, escrever de forma orientada sobre experiências traumáticas pode ajudar pessoas a refletir sobre si e a superar a dor da perda.
Uma possível explicação é fornecida por pesquisas sobre os efeitos da escrita sobre o sistema imunológico. Expressar no papel as próprias experiências negativas parece aprimorar a percepção da pessoa a respeito de si, tornando a somatização mais tênue. O professor de psicologia Joshua Smyth, da Universidade do Estado de Dakota do Norte, constatou também a redução nos níveis de cortisol (hormônio produzido por uma glândula do sistema neuroendócrino, ativado nos momentos de stress) nos pacientes que escreveram sobre seus traumas.
“O fato é que ao longo da vida todos passamos por eventos mais ou menos traumáticos e, mesmo que estejamos bem e não apresentemos transtornos significativos, é provável que haja um elemento estranho em nossa mente que pode impedir o desenvolvimento máximo das potencialidades. Por isso, quando escrevemos regularmente sobre nossas emoções e trajetória, quase sempre vem à tona um evento que nos perturba. Escrever ajuda a reelaborar e superar essas vivências desagradáveis”, diz o professor de psicossomática Luigi Solano, da Universidade La Sapienza, em Roma, autor de Scrivere per pensare (Escrever para pensar, não lançado no Brasil). Ele acredita que a escrita terapêutica ajuda a pessoa a descrever detalhes de experiências negativas, explicitar sentimentos, colocar os fatos em ordem cronológica e estabelecer nexos.
Outra hipótese, complementar à anterior, sustenta que a escrita “ensina” a mente a pensar de forma mais complexa e articulada. “É uma espécie de exercício mental que ajuda nas relações com os outros e consigo mesmo”, afirma o psicólogo. Certos estudos demonstraram que, após escreverem seguindo essa técnica, as pessoas se tornaram mais ativas nas relações com os outros. “Os experimentos mostram ativação de habilidades sociais, maior facilidade para se expressar afetivamente e, em alguns casos, a escrita ajudou a redefinir metas profissionais”, observa. É como se, ao serem colocados no papel, desejos, necessidades e emoções se tornassem mais claros.
E quanto às outras formas de expressão? A música, por exemplo, permitiria elaborar a experiência, assim como a escrita? E o mesmo se aplica à pintura? Muitos artistas expressam na tela as próprias experiências traumáticas, na forma de linhas e cores. “Talvez não seja adequado colocar no mesmo plano a escrita e as formas de arte que não contemplam a palavra, pois é justamente o uso da linguagem que permite a reelaboração dos fatos e a reflexão”, acredita Luigi Solano, da Universidade La Sapienza.
O cinema talvez esteja mais próximo da arte da escrita. Basta recordar o filme Macbeth (1971), de Roman Polanski. O diretor recriou a obra-prima de Shakespeare com um excesso de sangue e violência, o que, segundo vários críticos, evocava o bárbaro assassinato de sua mulher, três anos antes.
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p.s: lembrando que nunca se deve acreditar, realmente, em críticos. São seres, como nós, que vivem de "achismos", acham que sabem demais, inclusive o que você sente etc. O que nenhum ser humano tem muita capacidade, eles têm.
Sabe, acho que uma parte de mim - que já foi grande, mas está mudando, a atual configuração é uma parte pequena - ainda sustenta o medo de amar. Por que? Acredito que haja duas vertentes que se convergem ao mesmo sentimento: (1) medo de assustar a pessoa e (2) medo de ser rejeitada. Nos dois lados podemos chegar a um terceiro medo: o de perder. Aí, o que fazemos? Guardamos tudo numa gavetinha interior. É como se engolíssemos o sentimento, que é bastante forte e poderoso, a todo custo. Veja bem, esse sentir é bom - bom, pois nos sentimos bem ao senti-lo - e deixá-lo emanar de nós é sublime. Mas engoli-lo é o reverso, faz mal. É como comer papel. Mas nosso superego ajuda bastante a mantê-lo bem no fundinho da alma...ele adora ter voz de poder: "não faça isso!", "não abrace, ele vai fugir!", "não sinta prazer!", "não veja!", "vá para escola, tire notas boas!", "não use esse sapato!"...o blá blá blá de sempre. Já não agüento mais escutar essas coisas. Só não podemos esquecer que o inconsciente é mais poderoso, basta deixarmos ele tomar conta. Como? Contrariando o superego, por exemplo. Deu vontade? Faça! Nosso "ditador interior" vai espernear, vai mandar a SS atrás de você, mas faça e não tema se teu interior diz.
[não vou entrar em questões como matar alguém ou jogar xixi na bebida do outro...não dá!]
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