Era final de ano, talvez, novembro ou dezembro. Significava mais um fim de semestre para as escolas e novas etapas(séries) para os alunos. A tão almejada férias de verão estava bem ali, batendo na porta, porém, todos sabem que tudo tem um preço, e o dos estudantes são as temidas provas bimestrais, as "Dras. Mengeles" da vida escolar.
Pois bem, chegara a época de testes finais, aquelas semanas de confinamento estudantil para passar de ano, para tirar 10, ser inteligente, ¿ser alguém na vida¿, obter um boletim brilhante. Época também, de desespero para alguns.
Dentre aquela sala, existia uma aluna que naqueles dias, sua mãe havia dito:
- Estuda viu?! Se você ficar de recuperação, vai apanhar. Não é de hoje que estou te falando para estudar, tem o ano inteiro....
De fato, aquela aluna não conseguia compreender o universo matemático. Foi assim até o último dia de sua vida escolar, sendo que no final, as incógnitas de sua cabeça não sendo o suficiente, colocaram para acompanhar, duas amigas da tia mat, a srta. física e a velha e louca química. Não achava sentido em algo que não fazia parte de sua natureza não exata.
Passaram-se as provas, chegara o dia do resultado final: passar ou apanhar. A professora deu as medias. A ansiedade crescia a cada nome dito, aquela sensação meio mole que surge nos corpos medrosos.
Então, chegou em seu nome, foi chamada; respondeu com os olhos, olhando a prof, para apenas dizer que estava ali.
- O que vou fazer? E agora? Minha mãe...ah não, pensou.
Os que passaram em tudo, saíram para suas férias ao som do último sinal da 2ª série. Os do "outro mundo", ficaram, pois seriam passadas informações de como seria a recuperação. Aquela aluna, enquanto saiam certos alunos, deixou escapar para uma amiga que passara:
- Nossa, minha mãe vai me bater.
Depois disso, tão angustiada e já vendo o que aconteceria em casa, ficou bem quieta, olhando para baixo, com vontade de chorar. Sem conseguir segurar, suas lágrimas de medo caíram.
A professora vendo, perguntou o por quê daquilo, e então, sua amiga disse:
- É que a mãe dela disse que vai bater nela se ela ficar de recuperação.
A professora com tamanha brandura a chamou, consolou, conversou, mostrou o conteúdo e disse que não precisava ficar com medo.
A aluna chegou em casa calada, o silêncio havia engolido suas falas.
À tarde, quando estava indo ao dentista, sua mãe perguntou por que estava tão quieta, se ela tinha ficado de recuperação. Disse que não sabia ainda. Na volta, dentro do ônibus, de tanto stress interior, causado pelo desespero, pela angústia do medo de apanhar, caiu no sono, sentada mesmo, ao lado de sua mãe. (Quando se está muito ansioso, deprimido ou tendo um trabalho intelectual intenso, o stress rouba a energia cerebral que deveria ser usada em certas partes do corpo, como por ex., a musculatura, gerando um cansaço físico exagerado e incompreensível, o que nos leva a sonolência. Isso é uma defesa do cérebro, pois dormindo, repomos essa energia.)
No outro dia, assim que acordou, sua mãe chegou no quarto e disse:
- Sua professora ligou aqui, disse que tinha errado nos cálculos da sua media em matemática. Você passou, não ficou de recuperação não.
Um alivio tão divino brotou daquele ser.
Sorriu.
Quero agradecer a professora, aquela professora chamada Milka, pelo que fez por mim, por ter visto além, com sua sensibilidade, por ver que reprovar não significa necessariamente ensinar. Que muitas vezes, corrigir um erro vem apenas do acreditar na capacidade de alguém. Naquele acontecimento, ela não deixou memorizado apenas o que é 100-45 em minha mente, mas simplesmente me ensinou com seu gesto um exercício para a vida. Professor não é meramente aquele que sabe coisas tão difíceis e te ensina, te passa mil deveres para você saber de cor ensinamentos dessa vida exterior materialista (como por ex.: para passar no vestibular). Educador é aquele que te instrui para a existência.
...
Há um gosto tão amargo em minha boca. Gosto de sonho diluído.
As notícias te mudam como uma roupa pode transformar, e então, você se vê do outro lado do rio, naquele lado que nunca imaginou poder estar.
Vejo amor, vejo o que não consegui dar. Azedo este gosto de tempo perdido, mas ventos passados não retornam.
E agora? Será tarde para nos unirmos? Conseguiremos um só amor?
Batalhas são inúteis, nos levam a campos de sangue interior. Matamos com a cega impressão de estarmos acertando o alvo. A bala que, o destino final, é perfurar a nós mesmos.
Talvez, fui a melhor do que você não quis ter, ou a pior do que se pode ter. Mas eu não estava sendo filha, isso perdi, parei de ser, fiz apenas, o papel dos homens que se tornam monstros para que os monstros não os destrua.
Fiquei expert em egoísmo, em sentir tristeza, vazio, perdição. Provoquei dores e fui além, onde muitas vezes, ignorei uma fonte de amor.
Todos temos problemas, todos somos bons e ruins, machucamos e curamos, cremos e duvidamos, mas se, por um lado, há o que nos distancie, também deverá ter o que nos una, e este deve ser o amor.
Por mais que eu, ou quem sabe, você também, sejamos covardes o bastante para não pedir desculpas, ou falar sobre isso abertamente, tento deixar todas as armas aqui. Temo, ao mesmo tempo, não conseguir. O mundo, juntamente comigo, me fez um monstro. E eu queria ser como aqueles que, permanecem com o mesmo amor por suas raízes.
Feliz é aquele, sobre o qual, as mágoas não têm poder; que o sol os aquece e seus olhos brilham como as estrelas do firmamento; Resplandecem luz, e mesmo sem falar, dizem: "paz".
Aonde irei parar?
...
P.S.: Na verdade, escrevi este texto, meio que na forma de poema, mas depois, resolvi modificá-lo um pouco em sua forma, para colocar como um post.
O poema está ali no link Palavras ao vento...
Me sinto tão esquisita, às vezes, parece que o desespero quer bater à minha porta e piorar tudo. É de se confessar que sinto tristeza e que, às vezes, acho não ter saída. Em muitas ocasiões, penso nunca chegar a conseguir mudar meu ser no que diz respeito à melancolia, tristeza e, de vez em quando, o vazio que, volta e meia me ataca. Serei assim para o resto de minha vida? Por que não consigo ver, ou sentir como tantos outros? (pelo menos, quando digo "tantos outros", imagino os mais felizes) De onde vem e por que essa minha incapacidade de sentir mais felicidade do que angústia, melancolia e vazio? Será genético? Terei de passar, seja por um dado tempo, seja por uma vida, a tomar "remédios-da-felicidade-moderna"? Em certos momentos, penso a esse respeito, pois vejo o quão difícil e árduo é ter períodos de alívio (alegria).
Não aceito este fato, porque logicamente dói, não é agradável e depois, sei o quão sortuda sou pela vida material que levo. É como se aos olhos do mundo e, principalmente aos meus, eu fosse "obrigada" a ser/estar feliz. Na verdade, não somos obrigados a nada, porém, acredito que isto seja o que o ser humano mais procura em toda a sua existência. Afinal de contas, do que valeria toda esta vida se não se tem felicidade verdadeira e profunda?
Parece que é sempre assim, que sempre tive essa "coisa" com a felicidade. Obviamente já tive meus momentos felizes, mas consecutivamente voltando para o que sinto agora. Existem tantas coisas no meio que nem eu saberia dizer, objetivamente, o que me faz ser assim.
Atualmente, surge muito em minha mente a figura escura, fria e solitária de uma curva que passo para ir a faculdade. Inclusive, a própria faculdade me remete a esta mesma figura. A noite (horário que estudo), essa escuridão gelada me assustam. É tão vazio que não sinto a menor vontade de voltar lá, apesar de que sei ser necessário estudar (de que preciso "ser alguém na vida", etc). Normalmente, odeio ir e voltar daquele lugar. Mas, o problema será o local ou eu?
Faltam 15 dias para as aulas começarem e desde já, tenho repulsa, medo de lá voltar.
Meu irmão está aqui e isso trás um "Q" de família à minha, até porque, desde cedo, me ensinaram que uma é constituída de pais e irmão(s). O resultado disso é que muda a "cara" da minha casa, traz de volta o que sempre vivi. É como se trouxesse a originalidade da casa de novo. E mesmo que eu pense nos primeiros dias: Argh! Meu irmão chegou. Logo passa, pois há toda uma mudança em todos, na atmosfera e minha solidão, por mais que eu goste de ficar só muitas vezes, passa. Não digo a respeito da solidão interna, mas da externa, de ter sempre um barulho em casa, porque alguém o está fazendo. Talvez, barulhos preencham os cantos vazios do lar. E eu sou bem silenciosa (talvez, muito talvez, porque eu seja meio depressiva. Uma das coisas que gostaria imensamente de me livrar).
Bom, mas meu irmão não mora aqui, então, dentro de alguns dias, a casa voltará ao mesmo vazio de sempre. (e, pode ser que eu "veja" vazio, porque sinta isso por dentro, pois não saberia dizer se outra pessoa, como por exemplo, minha mãe, sinta o mesmo). Tudo isto se estende por vários meses, até que eu me "acostume" com o velho silêncio e minha solidão. Será isso que os filhos únicos sentem?
Existe, dentro de mim, algo que me leva a ser assim. O que é, não sei, mas já está comigo por uma longa data, desde Brasília. Minha maior infelicidade não é morar aqui (essa é uma grande tristeza, mas existe algo maior), mas é alguma coisa que está em minha alma, lá dentro. Logicamente que, entre ser infeliz ou feliz aqui ou em BSB, prefiro a última cidade. Lá, pelo menos tenho amigos e me sinto mais em casa. Sinto parecer também que é a de minha família.
Falando em amigos, sinto que fui "afastada" deles. É, aqui estou mais só do que o normal, mas também, a pequena vontade de fazer amizades por estas bandas, logo passa.
Essa é a minha vida. Às vezes, ela muda, dá uma reviravolta danada, mas não passa de três dias, uma semana, ou no mais tardar, um mês.
Quero ser feliz independente do lugar, me livrar desse julgo interior. Mas sim, quero principalmente tudo isso em BSB. Pelo menos é o que penso agora, ainda mais quando falo com meus amigos. (Por mais que, às vezes eu me perca e o medo de cometer um erro seja grande. Porém, como disse Van Gogh, "algumas vezes, é errando que se encontra a estrada certa.")
É como digo, me sinto muito presa a este mundo (o que não é agradável), portanto, posso ir aonde for, que o que me ataca e me faz "doente", voltará.
Qual é a graça de viver uma vida tão curta sentindo desespero, melancolia, tristeza, vazio, deslocada, "parada" e presa ? (e às vezes, doente)
Então, só resta esperar por dias melhores. Mas até quando irei esperar? É como diz uma música do U2: "How long to sing this song?" (40 - U2)
...
P.S.: Esta cidade me mata, me asfixia dia após dia, mas acima de tudo, eu sou a maior causa dessa morte.
"O que é o eu?
Um homem que se põe à janela para ver os passantes; se eu passar por lá, poderei dizer que esse homem se pôs à janela para me ver? Não, porque ele não está pensando em mim particularmente. Mas quem ama alguém por causa da sua beleza, ama a ele mesmo? Não, porque a varíola, matando a beleza sem matar a pessoa, fará com que esta deixe de ser amada.
E se me amam pela minha inteligência, pela minha memória, é a mim que amam? Não, porque posso perder essas qualidades sem me perder eu mesmo. Onde está então esse eu, se não é nem no corpo, nem na alma? E como amar o corpo ou a alma a não ser por essas qualidades que de modo algum constituem o eu, visto serem perecíveis? Com efeito, quem amaria de maneira abstrata a substância da alma de uma pessoa, quaisquer que fossem as suas qualidades? Isso é impossível e seria, aliás, injusto. Por conseguinte, nunca se ama uma pessoa, mas apenas qualidades."
Tenho que ser forte e certa.
E o que é ser forte e certa para a sociedade? Não chorar, não ser tímido, não ser fraco, não sentir sentimentos ditos terríveis etc. Só que, sem exceção, todos os humanos são assim, faz parte da nossa natureza.
Observe a palavra *sentir*...esse é um dos meus, dos nossos problemas. Só que é impossível não sentir qualquer sentimento, seja ele bom ou ruim. E é impraticável não errar. Até pq essa coisa de errar e acertar também é algo imposto pela sociedade. TUDO é imposto por ela, até muito de nossos pensamentos. Por isso odeio essa praga toda, pois te cobra sem dó e não te dá o recurso para ser o que é cobrado. Isso tudo gera uma cobrança dentro de mim. A s! julgadora("do mal") e a s! que quer ser livre, que tenta...achar a paz dentro si.
A questão é que não somos criados para sermos humanos. Somos monstros, somos meros bonecos em um palco de teatro.
E de fato, como ser humano num mundo desses?
...
Ouvindo: Original of the Species - U2
"Everywhere you go you shout it
You don't have to be shy about it, no
And you'll never be alone
Come on now show your soul
You've been keeping your love under control"