Novembro 26, 2006

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Libre at 21:18 |

Li "Quase Tudo", da Danuza Leão. Devorei as 220 páginas em cinco dias! Sinceramente, fazia tempo que não lia algo com gosto, um livro que me prendesse o dia inteiro, sempre querendo saber mais, indo além, pesquisando sobre Nara, sobre a própria autora que só tinha visto uma vez na vida - em 2004, no extinto programa do Clodovil (uma figura!), "A Casa é Sua" - e jurava que aquela mulher da boca grande só poderia ser irmã da Rita Lee. No programa ela falava de algum livro que mais tarde vim saber ser o "Na Sala com Danuza 2", mas não tinha noção de quem era.
Realmente, seria uma perda se ela não escrevesse um livro sobre sua vida, pois também é história do Brasil. Imagine, alguém que viveu os anos 50, 60, 70, 80, 90...até hoje, no Rio, em Paris...no mundo! A maior parte das coisas que aconteceram - fatos históricos mesmo - dos anos 50 aos 90 tem o nome dela por perto, em algum lugar. Conhecedora de quase tudo e todos, desde grandes jornalistas, presidentes até príncipes de países que nem existe mais. A Bossa Nova, por exemplo, nasceu no sofá da casa de seus pais, onde Nara Leão (sua irmã) se reunia com outros jovens como Tom Jobim, João Gilberto, Menescal etc e ficava cantando até o dia raiar. Danuza foi a primeira modelo brasileira a desfilar fora do país; Se casou com o grande jornalista Samuel Weiner, dono do extinto jornal "Ultima Hora"; Na ditadura se exilou em Paris; Foi rica, foi pobre; Perdeu filho, perdeu marido, perdeu irmã, perdeu pai...tudo sucessivamente, nos anos 80. Até funcionária pública acabou sendo, e chegou a conclusão de que o Brasil nunca irá para frente, "enquanto não cair uma bomba na burocracia". Hoje, tem 72 anos e enquanto muitos pensam em se aposentar, ela trabalha como é cronista na Folha de SP.
Gostei de tudo, ela escreve muito bem, muito mesmo. É sincera, é vaidosa, é exibida, é sarcástica, às vezes maldosa, mas verdadeira. Ela é simplesmente ela, humana e deixa isso bem claro, por isso é bom de ler. Se no inconsciente ela quis parecer estrela nesse livro, deu tudo errado. Fora os momentos bem reflexivos de sua vida, a parte que mais gostei e me emocionou, pelo drama e pela lucidez com que escreve, é a parte da Nara, o fim de Nara Leão - e também, a história toda de Samuca, que eu levei um susto, pois não imaginava que ele iria morrer. Chega fiquei meio mal. Inclusive, acho que poderia ter mais fotos da irmã, poderia e deveria ter falado um pouco mais da tímida musa da MPB, de seus filhos, até a própria mãe merecia mais páginas. Mas é aquilo...o livro é o título: "Quase Tudo"... =)
Sinceramente, aprendi, acho que aprendi, algumas coisas para a vida mesmo.
Quando acabei de ler, peguei uma página do livro e escrevi a minha pequena crítica literária, que de literária não tem nada, mas se alguém me perguntasse, diria isso: Mulher firme, como uma rocha. O que escreve nos faz pensar em nosso próprio lugar no mundo e também, o mundo X nós. As dores, as alegrias, as vaidades...Tudo. É muito interessante. Digo que já amo Danuza Leão (Nara, também) sem ao menos vê-la(s). Apenas, porque é linda de luta.
Sua história é parte do Brasil, sua vida é um livro mesmo. É tanta coisa, que fica difícil de acreditar...Parece que o tempo estava sempre a esperar por ela para acontecer.

Em minhas pesquisas acabei encontrando uma música de Nara que combina com o livro:

"Quando a noite vem
Vem a saudade
Do carinho seu
Olha meu amor
Chego a pensar
Que o nosso amor
Não morreu

Quando esta tristeza
Vem falar
Das coisas de você
Ouço a tua voz no ar
Vejo o teu olhar no céu
A chorar, como eu
Com saudade, também".
- Tristeza de Nós Dois
...

Libre at 20:39 |

elementopia | istockphoto

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