Dezembro 12, 2006

A nostalgia de um passado que nem vivi,
Mas sinto saudades.
Renato já dizia que por mais estranho que seja, os bons morrem jovens. E não é que você foi antes de eu chegar?!
Então, "vai com os anjos, vai em paz...até a próxima vez".
Não te contei, mas o mar anda rebelde lá fora. As pegadas das tuas caminhadas matinais estão na areia até hoje. (que as águas salgadas, em vão, tentam apagar)
Quando falam de você, lembro dos anos que atrasei em aparecer. Perdi o ônibus 60, só peguei os que passaram em 80. É tarde, não é?
Tentaram te calar (os generais que o digam!), mas tua opinião se fez bandeira;
Queriam que tu cantaste a Zona Sul, mas subiste o morro a procura do samba;
Julgaram tua voz como "fiapo" e até dos teus joelhos comentaram, virou coro.
E pensavam que diziam tudo, mas esqueceram da tua força e coragem, a que guardavas intimamente, apenas para você. Hoje até falam, mas é fúnebre.
Nunca mais ousaram como tu, pois criatividade é coisa extinta, minha cara. "Nada se faz, tudo se copia", alguns dizem, mas eu diria: Nara se faz/fez, o todo a copia!
Com açúcar, com afeto me lembro de você...(até quando?)
Foste embora antes de meu abraço.
Naquela manhã, eu vagava por aí, chorava como quem tem quase cinco anos.
Nem sabia de você...e ainda não sei...
Duro é descobrir que se está no tempo errado,
Vazio é amar o que já não há mais.
Ah, Drummond! Diga mais uma vez:
"Também temos saudade do que não existiu,
e dói bastante."
Porque triste é ver e saber a impossibilidade de viver o não vivido.
...

Ficou uma merda esse texto...e eu que tava cheia de sentimento...

Libre at 20:46 |

elementopia | istockphoto

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