Junho 22, 2007

Hoje estava procurando por um professor e achei outro dando aula, sem querer. Aproveitei e entrei na sala para conversar sobre a monografia. Depois da conversa fiquei pensando: onde eu estava esse tempo todo? Observando as idéias de minha professora de língua portuguesa (minha futura orientadora), o saber etc, vejo o quão...ahn...o quão "retrograda" fiquei. Eu já sabia que o jornalismo tinha acabado com minha pequena criatividade, mas não sabia que tinha estragado muito do pensamento. Enquanto ela falava, me senti cheia de mitos, cheia de clichês, talvez cheia de senso comum também (não que isso seja um "problemão", mas na hora pareceu). Parece que fui esvaziada de todos aqueles pensamentos que possuía no começo do curso. Sabe aquela forma diferente de pensar, sei lá, de ver as coisas? Eu não sei se, de fato, não existe mais, mas pelo menos parece que não faz mais parte de mim aquele olhar que essas aulas com a Simone (literatura), a Fernanda (filosofia) e o Joca (filosofia) nos proporciona.
Parei de conviver com essas pessoas e comecei a respirar jornalismo, a conviver com o jornalismo e isso me...eu ia falar que isso me "emburreceu", mas não vou usar essa palavra..rs! Isso me "esvaziou" criticamente, acredito. Veja bem, tudo tem suas perdas e ganhos. Ao mesmo tempo em que amadureci pra burro, seja no pensamento, seja na escrita etc, também "retrocedi". E voltando a conversar com estes professores é que noto no que ouve mais retrocesso. Acho que foi no meu pensamento crítico, no meu saber crítico, no saber coisas novas sob um ângulo diferente...essas coisas. Por exemplo, como disse, o jornalismo não só acabou com minha criatividade como em grande parte com a minha escrita. Entrei numa "nóia" só de lide, lide, lide e não há outra coisa. Na minha visão, "desaprendi" a escrever (dissertação, contos, redações simples...essas coisas. E olha que mesmo assim, não sei escrever bem uma matéria. Ou seja, agora não sei escrever mais nada....hahaha). Só que por outro lado e de certa forma, meu jeito de escrever amadureceu um pouco, pq EU amadureci e tenho certeza que isso é um reflexo em minha escrita. Só que por mais infantil que eu fosse (e ainda sou), prefiro a escrita crítica daquela sarah-de-começo-de-curso, a sarah caloura. E fico pensando: quais tipos de idéias são as minhas? Onde eu estou? O que aprendi? Será que acredito saber tudo? (alguns jornalistas têm essa mania...apesar de que nem me sinto "a jornalista", sou apenas sarah - a eterna perdida com sua procura pelo "não-sei-o-quê".)

Sei lá...
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Libre at 01:07 |

Junho 21, 2007

Estou meio triste e chorosa por conta do "fim". Essa foi a última aula de segunda-feira. Isso significa que, provavelmente não terei mais toda aquela "farra" de segunda com a turma. Posso dizer que a única aula desse semestre na qual fui a pior participante (tirando as aulas de quarta-feira) foi nas 2ª. Mas tbm foi a mais divertida (quiçá do curso!) - isso quando eu não estava fazendo o exercício chaterrimo proposto pela professora, claro. Mesmo que a proposta de aula fosse sofredora, era uma das poucas vezes que eu burlava o "protocolo" e me sentia livre só para falar idiotices, brincar com o povo e puxar um papo com a Marta (prof). E eu a adoro, sabe? Alguém que gostei desde o primeiro dia em que conheci. Quem olha, talvez não note nada em especial, mas sua simpatia é reluzente e extremamente agradável. É uma das poucas pessoas que fizeram meus dias de faculdade melhor. E eu posso contar nos dedos esses professores.
São poucos os que me instigam a conversar, a querer ir até eles, a simplesmente falar e dar o melhor de mim, como pessoa.
O que me deixa feliz é saber que atraio seres - seres humanos, os bichos não contam! -, extrovertidos, simpáticos, com outro "ar de vida", ou seja, não atraio só problema. Lá fora é outra coisa - e lá fora pode ser outra coisa. Minha psicóloga sustenta que somos atraídos pelo que temos em comum/semelhante ao outro, ou seja, de certa forma a simpatia não está de um lado só, entende? Só depende das circunstâncias.
Tristeza apenas por deixar essas pessoas. Ainda bem que a gente chora e passa.
Engraçado, eu sempre procurei algo nos professores. Não sei bem o que é, mas está ligado a figura deles. Sempre me marcaram.
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Libre at 00:23 |

Junho 2, 2007

Se não fosse pelo final, o homem-design se "trairia". Um quase-tocante texto sobre jornalistas. Daria até para um discurso de paraninfo de jornalismo, se no final não morrêssemos guilhotinados:

"...Ninguém te ouve ou respeita por ficar na frente de uma baleia; as pessoas simplesmente ficam esperando até que você desista ou morra, deixando o caminho aberto para prosseguir. Você percebe que ninguém realmente liga - ninguém dentre os que deveriam ligar, que têm influência, que poderiam efetivamente mudar algumas coisas. Você pode servir de modelo para alguns moleques e inspirá-los a usar camisetas, e é isso. Enquanto não mudar as idéias das pessoas, nada muda; você precisaria fazer, como indivíduo, algo grande, que mudasse o que as pessoas pensam como sociedade e como indivíduos.

(...)
A grande sacada é: você PODE levar as pessoas (sociedade/indivíduos) a pensar e repensar sobre as coisas. Você pode alcançar
todos, pode comunicar algo a todos. Como?

Em políticos ninguém acredita, as pessoas acham que o único interesse deles é manipular. Políticos alcançam muitas pessoas, mas sem efeito.

Em publicitários, as pessoas se deixam acreditar; elas SABEM que o único interesse deles é manipular, e se deixam encantar por paliativos às angústias diárias. Publicitários alcançam muitas pessoas, mas esperam justamente que elas pensem o mínimo possível.

Artistas em geral estão ávidos para fazer com que as pessoas pensem, mas eles falam outra língua, estão muito além nos seus pensamentos; não alcançam muitas pessoas. Designers trabalham num nível muito básico, de informação direta, sem real comunicação; alcançam muitas pessoas, mas por caminhos tão limitados que efetivamente não lhes dizem nada além do estritamente necessário (do ponto de vista mercadológico, geralmente).

Quem sobra na área de comunicação? Jornalistas. Eles alcançam muita gente, e sabem exatamente como fazer a mensagem ser entendida por todos. E mais: as pessoas acreditam neles, confiam neles. Muitos chegam a tê-los como modelos. "Como eu queria enxergar as coisas como esse cara enxerga, ele é muito inteligente!", já ouvi muitas vezes sobre um ou outro jornalista. Embora eu não goste muito da idéia de "formadores de opiniões", os jornalistas estão no lugar certo e com as ferramentas certas para mudar as coisas, para fazer as pessoas pensarem. Isso é muita influência. Filósofos não conseguem isso, sociólogos, antropólogos não conseguem isso, porque eles são bons pensadores, mas não comunicadores.

Como os jornalistas estão por aí há bastante tempo, é de se imaginar que o mundo já deveria estar um pouquinho melhor há algum tempo. O problema é: os jornalistas são pessoas. Com sentimentos, e inclinações políticas, e ambições, e metas pessoais - e devem mesmo ter tudo isso, pois são pessoas. Mas pessoas em quem o cidadão médio confia para dizer a verdade e a quem recorre para ter o primeiro contato (senão o único) com qualquer novo assunto. Isso é assustador quando se imagina que esse contato pode vir por uma única fonte com intenções/direcionamentos não muito explícitos. As pessoas não sabem, elas confiam em jornalistas. Lógico, muitas percebem quando um jornalista está sendo tendencioso, mas como avisar as demais nesse caso? Pois são os jornalistas os especialistas em avisar e comunicar. Como 'competir' com isso? Devemos confiar numa auto-regulação, num controle interno?

É muito poder, percebe? Poder na mão de pessoas que têm pontos fortes e fracos como quaisquer outras, e que estão praticamente intocáveis atrás do escudo da liberdade de expressão."
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Libre at 22:40 |

elementopia | istockphoto

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