Agosto 30, 2007

Monólogo.

Hoje fizeram uma brincadeira comigo. Entendo, foi uma brincadeira. Agora, essas mesmas pessoas, que adoram brincar, nunca chegaram para perguntar como me sinto no curso, ou outras coisas. Tudo bem que sou brincalhona e avacalho todo mundo se deixar (não parece mas é verdade). Mas fazer brincadeira com o que me incomoda...sei lá. Hoje estou triste com um bando de coisas. As pessoas podem tirar sarro da minha cara, mas este não era um dia muito oportuno. Pelo menos uma vez, gostaria que os seres humanos fossem mais atenciosos, carinhosos – os professores ajudariam muito se não esfregassem em minha cara que devo estar no lugar errado.
Meu superego acaba de me dizer que eu “deveria voltar para o maternal”. Sabe, acredito que vejo a figura do professor como via no maternal, acho que é isso. Alguém que cuida da gente, que ensina, algo mais que familiar até. Só que atualmente ninguém possui tempo ou saco para saber do outro, para olhar o próximo, ou mesmo prestar atenção no mundo, no humano...e o pouco que possuem, possuem para si – sem querer criticar. Faço parte desse mundo narcísico também, mas por mais paradoxal que seja, gosto de saber como são e como estão as pessoas – que me importam, claro.
Devo ser uma adolescente ainda...no meio de um bando de gente grande.

Não tenho resposta para tudo nessa vida. Que erro cometi?
Faço jornalismo e não tenho a resposta do por que estar lá. Qual é o problema?
Porque estou cansada de estar perdida e não ter respostas prontas para a vida, cansada das pessoas simplesmente fazerem mil perguntas e no final dizerem “Mas o que você faz aqui?” ou “É, você está fora do jornalismo”. Puta que pariu, já não agüento mais ouvir esse tipo de constatação. Será que ninguém imagina que EU sei disso e não olham além, que eu me sinto perdida? Não sei nem o que estou fazendo na terra e muito menos vou saber por que razão estou numa sala de jornalismo. Todo mundo sabe fazer mil perguntas complicadas a respeito do futuro, todos são mestres em causar angustia, mas ninguém sabe ver o sofrimento das pessoas? Já reparou que normalmente, quando uma pessoa vê outra em situação complicada, ela fica na dela? Raros são os seres que te param para perguntar: “Por que choras?”, “Posso te AJUDAR?” etc.
Cansei de mim também. Cansei de não ter as benditas respostas, de não saber o que fazer...cansei de esperar! Fico chateada, porque fico puta quando as pessoas começam a me dizer algo que já sei e me deixam mais perdida ainda. Quando o assunto é jornalismo, pronto, lá vem bomba. Cacete, eu não quero ser repórter, não quero ser assessora de imprensa, não quero ser, por enquanto, NADA no jornalismo! Que mal há nisso? Certezas, só do que não quero ser.
“Pareço uma rebelde sem causa, só reclamando”, diz meu superego. E foda-se o meu superego também!

Juro que gostaria de ter as respostas....juro.
...

Libre at 23:30 |

Agosto 28, 2007

Acho interessante a questão em torno da vida dos autores. Por mais que Barthes pregue para que se dê ênfase apenas na obra, não concordo com esta idéia da tal “morte do autor” e acredito que dependerá dos interesses de cada leitor em “bisbilhotar” ou não o que se passa naqueles instantes de escrita do criador – se é que alguém cria algo. Eu a-d-o-r-o saber e até achar coisas a respeito dos que escrevem um texto. Se o que está no papel é pessoal, melhor ainda – e, afinal de contas, o que não é pessoal? De certa forma, tudo está baseado em nosso particular. E quer saber? Só isso me importa. E acho que é por esta razão que não sou chegada a matérias, ou melhor, ao mundo jornalístico. Acho, e posso estar sendo extremista – aliás, na maioria das vezes estou no extremo, não sou chegada a meio termo -, mas acho uma “perda de tempo” ficar relatando que fulano foi assassinado, que o outro roubou um pé de couve, que não sei quem ganhou na mega sena etc. Por mais “importante” que isso seja – e vai depender do mundo de cada um -, na minha humilde opinião, o que há de mais útil e “verdadeiro” é o sentimento humano. Se há uma verdade, está dentro de cada um – e também sei que isso soa romântico demais. Não quero saber se fulano roubou couve, quero saber o que ele sente como ser humano – por exemplo, ele é feliz? Quais os sonhos de vida que ele tem? e por aí vai. Talvez, esses fatores expliquem minha curiosidade por escritores “complicados” e, de certa forma, dramáticos – vulgo Mrs. Woolf e outros que minha mente de galinha velha não guarda. O que me chama atenção não é nem tanto a Mrs. Dalloway da vida, mas a mente de Virginia. Sim, num primeiro momento posso gostar muito do texto, mas depois, me fixo no autor e em suas histórias de vida – ou do que é contado (versões) sobre sua vida. E então, e a objetividade? Que vá para o lixo! Não vou dizer que odeio objetividade, mas na minha escala de 0 a 10, ela está em 2...tá bom vai, 3. Deve ser por isso que gosto de filosofia, psicologia e esses “ia” infindáveis. E cá pra nós, a fascinação não é à toa. Nenhuma. De certa forma, sempre procuro o que vou me achar. Alguém já não disse que procuramos espelhos?
E outra coisa que eu estava pensando é como que no jornalismo vou chegar a uma pessoa e perguntar: “Você é feliz, é realizado?”, “O que acha que falta para isso?” e blá blá blá. Tudo bem que as pessoas falam de várias formas, como na comunicação gestual, corporal e deve ter mais. Mas olha só, são curiosidades pessoais. Quem vai abrir a página 3 do jornal – e eu nem imagino o que normalmente há nessa página – para ler o que sente o João Ninguém ou até, sei lá, o Paulo Coelho (sacanagem! hahaha). Se bem, do jeito que estou – e estou desde o terceiro semestre da faculdade -, nem eu quero escrever o que escuto, o que leio ou o que vejo, para outros seres lerem. De vez em quando é bom escrever, mas às vezes, é melhor guardar. E veja! Sobre essas divagações escrevo que é uma beleza, até diria que rápido. Mas me coloca para fazer matéria e não sai – algo publicável – em menos de dois dias. Se lembro bem, comecei escrevendo poesias (?) – querendo que fossem músicas - e parei nas notícias. Só que tenho vocação para “desabafos”. Será que o fim será o game over da brincadeira?

Isso era (o começo de) uma resposta de e-mail para uma professora. Pessoal demais? Eis minha contradição: ao mesmo tempo em que amo o “pessoal”, tenho medo de sê-lo em demasia.
...

P.S.: eu acho que vivo mesmo em outro mundo. Quase que numa redoma de vidro.
P.S.1.: uma vez li que um bom texto não deve ter muitos hífens, aspas etc...
P.S.2.: e tudo que eu queria era ter uma escrita simples.

Libre at 22:24 |

elementopia | istockphoto

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