Dezembro 22, 2007

O dia de hoje está tão lindo. Tão diferente do apagado nublado de ontem. Hoje há o infinito azul, juntamente com o sol. Quando fui lá fora e me dei conta da paisagem, me peguei comentando: nossa, o céu está tão lindo. Olha, tão azul. Deve ser a Carol que chegou lá.
A Carol era assim, como um dia de sol [extremamente brilhante e azul celeste]. E aí eu ri, porque se dissesse isso à ela, ela iria dar uma risada e me chamar de boba sentimentalista. [A mesma que lia meus toscos poemas e corrigia algumas coisas].
Ontem uma amiga me deu sua definição a respeito dela ["uma pessoa amada e especial"]. Hoje, imediatamente vi a minha sair tão fácil ali fora, enquanto eu passava pelo sol. Porque o contraste entre ontem e hoje é tão forte, tão chocante e tão belo, que é “impossível” dizer que alguém morreu neste dia. Hoje, só nascem e renascem, todos.


"Who's to say where the wind will take you
Who's to say what it is will break you
Well, I don't know, which way the wind will blow.
Who's to know when the time is come around
Don't want to see your cry, I know that this is not goodbye.

In the summer I can taste the salt of the sea
There's a kite blowing out of control on the breeze
I wonder what's gonna happen to you
You wonder what has happened to me".

(Kite - U2)
...

Libre at 14:24 |

Dezembro 21, 2007

Hoje morro mais um pouco. O acidente tão noticiado na 23 de Maio (SP) levou minha amiga Carol e seus vinte e um anos. Não mais uma menina chamada Carolina, mas uma que muitos não poderão conhecer: nem as histórias, nem a inteligência ou simplesmente, aquele fugaz momento de vermelhidão nas maçãs de seu rosto. Ninguém mais verá.
Fico tentando imaginar o que um bombeiro pensa quando vê uma face tão jovem, tão gelada, tão passada... quando coloca um corpo tão reduzido na calçada, sob um pano branco. O pano que tira nossa identidade, onde somos mais um de números infinitos que a morte visitou. Onde nem a mãe ou o pai salvam, apenas choram. Nunca imaginei que minha amada amiga Carolina estaria ali. Sem nem um "oi" de adeus. Sem nem rir e me dizer o quão sentimentalista e boba sou.
Penso do que vale tudo, se no fim, nada permanece. E chego à conclusão que viver é morrer aos poucos. Sábio é quem aprende e não perde tempo.
Hoje é o dia que não vivi.

...embora, prefira acreditar nas hipóteses insanas de negação em minha mente: planejou tudo e está viva, com outra identidade, por aí. Talvez se chame Miranda e viva no México. Carol é estabanada, mas é esperta!

Libre at 19:32 |

elementopia | istockphoto

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